Título Original: The Year of the Witching

Autora: Alexis Henderson

Editora: DarkSide Books 

Páginas: 368

Ano: 2021 

Gênero: Ficção/ Horror/ Suspense e Mistério

Comprar: Amazon

Sinopse: A coleção Magicae transformou 2021 no ano das bruxas. Muitos darksiders se deixaram encantar pelos mistérios da bruxaria, descortinando um mundo novo e fascinante. Agora chegou a hora de percorrermos territórios fictícios, mas assustadoramente parecidos com a realidade, em uma das histórias da marca DarkLove mais aguardadas pelas bruxas leitoras e pelos bruxos leitores. Ambientado na cidade de Betel, onde a palavra do Profeta é lei e qualquer fruto de um relacionamento interracial é uma blasfêmia, O Ano das Bruxas conta a história de Immanuelle, tida por muitos como uma jovem amaldiçoada por causa dos pecados da mãe. Ela faz de tudo para seguir o Protocolo Sagrado e levar uma vida de obediência, devoção e conformidade, como todas as outras mulheres da cidade. Ainda assim, Immanuelle lê em segredo, esquece de fazer as preces antes de dormir, tem devaneios durante os deveres diários e por vezes não demonstra a gratidão esperada. Quando um acidente a leva até a Mata Sombria, onde o primeiro Profeta perseguiu e matou quatro bruxas poderosas, Immanuelle se encontra com os espíritos dessas bruxas, que a presenteiam com o antigo diário de sua mãe. Quanto mais ela lê, mais compreende a injustiça da sociedade em que vive: as hipocrisias da Igreja e do Profeta, as desigualdades sociais e de gênero, as leis antiéticas e corruptas. E entende que, se Betel precisa mudar, a mudança deve começar com ela. Criada à base de livros de fantasmas e histórias populares sulistas, a autora estreante Alexis Henderson apresenta uma história sangrenta e visceral, permeada por divindades — algumas figuras conhecidas da bruxaria, outras criadas por ela própria —, sacrifícios de sangue e pragas. Evocando histórias como o romance O Conto da Aia, de Margaret Atwood, e o filme A Bruxa, do diretor Robert Eggers, O Ano das Bruxas é uma aventura poderosa protagonizada por uma heroína gentil, corajosa e idealista. Uma história sobre a luta de uma jovem para revolucionar um sistema que, por anos a fio, usou a religião como desculpa para cometer abusos, vitimizar e traumatizar mulheres. Betel é um mundo fictício, mas as injustiças e desafios vividos pelas mulheres são reais. (SKOOB)


‘O Ano das Bruxas’ é um lançamento de 2021 da editora DarkSide Books, é o livro de estreia da autora Alexis Henderson aqui no Brasil. 

O livro promete ser uma mistura entre ‘O conto da aia’ e ‘A Conjuração do Mal’. Conhecemos Immanuelle Moore, uma jovem que vive em Betel, uma pequena cidade que é comandada pelo Profeta, um líder religioso que é abençoado pelo Pai, e é responsável por guiar a comunidade militar, política e religiosamente. O Profeta possui diversas esposas e filhos, a falecida mãe de Immanuelle era uma dessas noivas, contudo ela se revoltou contra o Profeta e se abrigou na Mata Sombria com as bruxas, por conta disso, Immanuelle cresceu sendo hostilizada pela comunidade e vista com desconfiança, mas há segredos nas entranhas da mata que foram deixados por sua mãe e se quiser saber quem é, Immanuelle precisará ir contra as leis do Pai. 

‘O conto da aia’ já é considerado um clássico, então essa promessa por si só, já me deixou extremamente curiosa, mas o que me fez desejar desesperadamente esse livro foi o a temática bruxa. Sou apaixonada por esse ser sobrenatural, adoro desde bruxas modernas que misturam seus feitiços com tecnologia, até bruxas clássicas que vivem na floresta e realizam magia natural. Mas não se engane, ‘O ano das bruxas’ não é nem um nem outro, pelo contrário, a história segue o caminho do horror e quase nada sobre a parte sobrenatural é explicado. 


Toda a narrativa tem um tom que lembra a perseguição das mulheres em Salem e como muitas delas foram injustamente queimadas na fogueira, aqui o Profeta e seus Apóstolos estão acima de qualquer regra, muitos deles são violentos, misóginos, machistas e tiranos, toda Betel é mantida num clima de ignorância e nada se sabe sobre as terras pagãs além do portões, meninas adolescentes são entregues a homens com idade para serem avôs delas, o próprio Profeta se aproveita de garotas que estavam prestando serviço a sua igreja e não hesita em machucar até aqueles que compartilham o seu sangue, daí a comparação com o livro ‘O conto da aia’. Infelizmente ainda não li essa obra, mas toda a atmosfera de ódio versus desejo para com as mulheres já é bastante conhecida tanto na literatura quanto no mundo real. 

Esta era a grande vergonha de Betel: complacência e cumplicidade responsáveis pela morte de gerações de garotas. Era a doença que dava primazia ao orgulho dos homens em vez dos inocentes que haviam jurado proteger. - Pág 230

A própria Mata Sombria que é um local proibido e de profanação para as bruxas, se apresenta como um personagem, com um clima gótico, a Mata parece viver e respirar dentro da história. Enquanto a minha expectativa era ler uma história sobre bruxas, como o próprio título indica, aqui as temáticas discutidas são outras, não é uma fantasia, mas um horror que se inspira na história de diversas mulheres, portanto há cenas gore (nojentas) e de dar um frio na espinha, nada que tire o seu sono, mas que te deixe alerta e duvidando da veracidade do que os personagens relatam. 


Outra crítica social extremamente pertinente que a autora faz é com relação ao racismo, em Betel as pessoas negras são relegadas a um pequeno território no qual passam por diversas necessidades, água, comida e até um senso de comunidade para com os outros habitantes, o Profeta é visto como misericordioso simplesmente por ter deixado que essas pessoas sobrevivam nesta cidade sagrada, porém sem jamais serem de fato parte de seu rebanho de fiéis. É por conta disso, que a história de Immanuelle é ainda mais significativa, pois ela é vista como uma estrangeira por esses dois povos, uma vez que possui privilégios que são negados ao povo das Cercanias, porém jamais é confiável o bastante como o bom povo de Betel. 

Já quanto a garotas como Immanuelle - aquelas das Cercanias, com a pele escura e cachos preto-azulados, as maçãs do rosto tão afiadas quanto pedra de cantaria -, bem, as Escrituras nunca as mencionaram... Permaneciam sem ser mencionadas e sem ser vistas. - Pág 17

Alguns personagens merecem destaque: Leah, a melhor amiga que representa muitas dessas meninas abusadas por um sistema que privilegia homens; Ezra, o interesse romântico que possui uma visão de mundo muito diferente do que é pregado e muitas vezes inconsciente dos próprios privilégios, o que faz com que ele cobre uma posição de Immanuelle que arriscaria não só a vida dela; Vera, uma mulher dona de si, que é essencial para grandes descobertas na história, além de mostrar um relacionamento afetivo; e por fim, os próprios Moore, uma família despojada de tudo depois que sua filha se rebelou, é interessante ver como o luto e a desgraça social fazem coisas diferentes – Abram ganhou cicatrizes físicas permanentes, mas ainda assim enfrenta o Profeta, já Martha se tornou uma fanática fervorosa, a ponto de achar que esse é o único caminho para a redenção de todos eles. 

Não era possível gastar em coisas frívolas como histórias, papel e poesia. Tais privilégios eram reservados aos apóstolos e aos homens que tinham dinheiro de sobra. Homens como Ezra. - Pág 41

Apesar de todos os pontos fortes da história, principalmente suas críticas sociais, ‘O ano das bruxas’ não me agradou tanto quanto eu esperava. A história se estende bastante na primeira parte, quando a primeira praga toma a cidade, e passa rapidamente nas partes seguintes, então senti que Immanuelle demora para se desvincular das mentiras contadas pelo Profeta e quando a personagem deveria começar a sua jornada de autodescoberta, tudo é entregue de bandeja, não parece haver uma progressão natural. 

Outro ponto negativo, mas acredito que isso seja muito pessoal, pois criei uma expectativa com o livro, é que o propósito do livro não é falar sobre magia e se aprofundar nesse tema, logo acontecimentos naturais são pouco explicados, habilidades são adquiridas de uma hora para a outra e tudo isso parece muito esotérico, tive dificuldade em visualizar esses momentos na história, já que tudo é muito místico sem razão nenhuma a não ser a briga entre Luz e Trevas. É justamente por isso que estou reforçando esse ponto na resenha, talvez o título acabe enganando outros leitores como foi o meu caso e gera uma expectativa que não possa ser atendida.

NOTA: 


Alexis Henderson é autora de ficção especulativa e paixonada por fantasias macabras, bruxaria e horror cósmico. Cresceu em Savannah, no estado da Geórgia, uma das cidades mais assombradas dos Estados Unidos, o que instigou sua paixão por histórias de fantasmas. Está sempre devorando algum livro, pintando ou assistindo a filmes de horror com sua familiar felina. Atualmente, mora em Charleston, na Carolina do Sul. O ano das bruxas é seu livro de estreia.

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