Título Original: The Dark Half
Autor: Stephen King

Editora: Suma de Letras
Ano: 2019
Páginas: 464
Gênero: Ficção / Literatura Estrangeira / Terror
Sinopse: Criar George Stark foi fácil. Se livrar dele, nem tanto. Há anos, Thad Beaumont vem escrevendo, sob o pseudônimo George Stark, thrillers violentos que pagam as contas da família, mas não são considerados “livros sérios” pelo escritor. Quando um jornalista ameaça expor o segredo, Thad decide abrir o jogo primeiro, e dá um fim público ao pseudônimo. Beaumont volta a escrever sob o próprio nome, e seu alter ego ameaçador está definitivamente enterrado. Tudo vai bem. Até que uma série de assassinatos tem início, e todas as pistas apontam para Thad. Ele gostaria de poder dizer que é inocente, que não participou dos atos monstruosos acontecendo ao seu redor. Mas a verdade é que George Stark não ficou feliz de ser dispensado tão facilmente, e está de volta para perseguir os responsáveis por sua morte. (SKOOB)

Após muitos anos esgotado no Brasil, finalmente a Suma de Letras trouxe de volta 'Metade Sombria', um dos livros mais aterrorizantes e eletrizantes do mestre na edição da biblioteca Stephen King, preciso nem falar na beleza que é essa edição né? E assim como todos os livros do biblioteca Stephen King, também podemos contar com conteúdo extra nessa edição.


'Metade Sombria' vai contar a estória de Thad Beaumont, uma criança que começou a escrever aos 11 anos e tinha tudo para ser um escritor prodígio, o que atrapalhou logo de inicio foram fortes dores de cabeça acompanhada por sons de pássaros que só piorou até não conseguir mais sair da penumbra de seu quarto. Uma cirurgia cerebral foi necessária, pois as suspeitas eram que fosse um tumor benigno, mas não havia tecnologia na época que pudesse substituir uma cirurgia exploratória. Só que o que descobriram não era um tumor, e sim que Thad, antes de nascer absorveu seu irmão gêmeo e ele ficou em sua cabeça, que de uma hora para outra começou a se desenvolver. E o que o médico viu dividindo espaço com o cérebro de Thad era um olho e alguns dentes, um caso extremamente raro, ainda mais para a época.

Com o passar dos anos já na vida adulta de Thad, mesmo sendo um escritor mediano, surgiu nele uma vontade de escrever estórias pesadas, de assassinatos brutais e sem piedade e para isso ele criou o Stark, um pseudônimo que se tornou best seller nos poucos livros publicados. Algo fazia Thad ter uma metade sombria, que ele externava escrevendo os livros de Machine, protagonista da série de Stark.


Após anos de George Stark sendo a principal fonte de renda da família Beaumont, Thad decidiu que já era hora de 'aposentar' o pseudônimo. Escrever como George Stark fazia com que ele não se sentisse ele mesmo com todas as bebidas e cigarros, comportamento que só surgia enquanto ele escrevia os livros de Stark. Junto com sua esposa, e após o convite de uma revista para escrever uma reportagem sobre Stark, eles aproveitaram para revelar que Thad era o verdadeiro Stark, e decidiram enterrar Stark na entrevista, para informar aos fãs que não haveria mais livros dele, que para Thad o George havia morrido e aquele era o funeral dele.

O que não esperavam é que após a entrevista ser publicada, cada uma das pessoas envolvias na publicação fossem sendo assassinadas, uma por uma, desde o coveiro que simulou o tumulo onde as fotografias foram tiradas quanto a assistente do editor da revista. E o mais estranho é que morriam da mesma forma em que o serial killer, protagonista de Stark, assassinava suas vitimas. As suspeitas rapidamente caíram sobre Thad após suas digitais serem encontradas nas cenas dos crimes de forma clara, mas como poderia ser ele o assassino se ele ficou o tempo todo com sua família?


Como sempre, tenho o mesmo problema com livros do mestre, o inicio para mim é sempre extremamente arrastado, mas sempre vale a pena depois da página 100 mais ou menos. O mestre é detalhista e muitos desistem por isso, mas o cenário que ele cria acaba sendo tão complexo e maravilhoso que é compreensível a estória demorar tanto para se desenvolver né?

Desta vez, Stephen cometeu alguns gafes que não é de seu feitio, fiquei um pouco decepcionada nesse sentido. Com base nas minhas leituras anteriores do autor, ele sempre utilizou personagens do qual havia criado um passado e citado ao longo do livro, mas nesse livro teve alguns personagens que foram assassinados e não tiveram um passado, teve caso de não ter sido nem citado no livro, sendo que o personagem tinha algum envolvimento em certo acontecimento, e a pessoa aparece lá, assassinada. Já que sou acostumada com a profundidade tão detalhista que Stephen King costuma ter, não esperava por isso. Esse pequeno detalhe que notei não afeta nem um pouco a leitura, não atrapalha, só me fez falta.

Fora isto, os outros personagens tem um passado de uma forma que da para acompanhar uma breve evolução neles, a forma de investigarem, de agirem. Deixam de ser apressados e passam a ser mais estratégicos ao longo da narrativa. Outros personagens são mais utilizados, a forma que eles reagem aos acontecimentos deixa a estória mais envolvente, talvez até mais emocionantes com o envolvimento dos filhos de Thad, uma casal de gêmeos que mesmo tão inocentes foram capazes de tocar pela forma de reagirem com as pessoas ao seu redor.
Você acha que eu sou um monstro, e talvez esteja certa. Mas os monstros de verdade não estão livres de sentimentos.
Stephen como sempre trazendo a originalidade para suas obras, nunca havia lido um livro com essa intensidade nos eventos como esse livro me proporcionou, aparentemente ele se inspirou em uma fase na qual ele mesmo utilizava um pseudônimo para escrever, dizem que foi dai que surgiu a ideia, maneiro né?

O mestre também é um gênio por pensar nessa estória e na forma que ligou os acontecimentos, a ação e adrenalina que faz o leitor sentir na primeira parte do livro nos instiga a ler cada vez mais e a não querer largar o livro, mesmo com sono fica difícil parar de ler. Não sei dizer se foi pela estória inédita, se foi pela escrita, pela construção dos personagens, ou se o conjunto faz o leitor se envolver na leitura até terminar sem nem perceber.


Já aviso que é uma estória pesada, há diversos assassinatos e cenas um pouco pesadas, mas confesso que foi isso que tornou esse livro o meu favorito do Stephen King até agora. Recomendarei ele para todos que tiverem estomago forte para aguentar as mortes da primeira parte do livro, afinal, não temos muito tempo de digerir uma morte que outra vem logo após. Recado dado, não digam que não avisei, viu?

Espero que tenham gostado <3

NOTA:  

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Stephen King nasceu em Portland, no Maine, em 1947. Seu primeiro conto foi publicado vinte anos depois na revista Starling Mystery Stories. Em 1971, ele começou a dar aulas, escrevendo à noite e aos fins de semana. Em 1974, publicou seu primeiro livro, Carrie, a estranha, que se tornou um best-seller e é considerado um clássico do terror. Desde então, King escreveu mais de cinquenta livros, alguns dos quais ficaram mundialmente famosos e deram origem a adaptações de sucesso, seja para o cinema ou para a televisão.

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