Título Original: Céu Sem Estrelas
Autora: Iris Figueiredo
Páginas: 360
Editora: Seguinte
Gênero: Ficção / Jovem Adulto / Literatura Brasileira / Romance
Ano: 2018
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Sinopse: Um romance sensível e envolvente sobre autoestima, família e saúde mental. Cecília acabou de completar dezoito anos, mas sua vida está longe de entrar nos trilhos. Depois de perder seu primeiro emprego e de ter uma briga terrível com a mãe, a garota decide passar uns tempos na casa da melhor amiga, Iasmin. Lá, se aproxima de Bernardo, o irmão mais velho de Iasmin, e logo os dois começam um relacionamento. Apesar de estar encantado por Cecília, Bernardo esconde seus próprios traumas e ressentimentos, e terá de descobrir se finalmente está pronto para se comprometer. Cecília, por sua vez, precisará lidar com uma série de inseguranças em relação ao corpo — e com a instabilidade de sua própria mente. “Uma história brilhante sobre encontrar a sua força mesmo quando não há esperanças. Iris escreve com uma sensibilidade incrível e dá voz aos jovens que vivem a busca constante pelo seu lugar no mundo.” – Vitor Martins, autor de Quinze Dias (SKOOB)

Há muito tempo eu venho ensaiando para conhecer a escrita de Iris Figueiredo, e posso dizer que fiz a escolha certa ao começar com seu mais recente livro 'Céu Sem Estrelas', publicado pela Editora Seguinte.


Nossa protagonista é Cecília, uma jovem que está completando a maior idade agora, mas junto com isso recebe a noticia de que está desempregada. Ela não é uma garota de sair pela noite e encher a cara, mas a insistência de sua melhor amiga, Iasmin, e o fato de ter que enfrentar a mãe com essa má noticia, faz com que a garota 'enfie o pé na jaca'.
Eu estava cansada de pedir desculpas por meus sentimentos.Às vezes tinha a impressão de que fazia isso o tempo inteiro. - Pág 182
Quem acaba 'salvando a noite' é Bernardo, irmão de Iasmin, que leva as garotas em segurança para casa e acaba vivendo uma situação um tanto constrangedora com Cecília, que no fim das contas o dá várias memórias para não tirar a garota e seu corpo 'cheinho' da cabeça.
Eu esperava pelo dia que alguém sacaria uma balança da bolsa e pediria para eu subir. As pessoas queriam tanto saber quanto eu pesava, deixar claro que haviam percebido que eu tinha engordado, que parecia que meu corpo era de domínio público. - Pág 178
Cecília é uma menina a cima do peso, ela vive em contantes duelos com sua mente por conta da autoestima, além disso sua família não facilitam as coisas, e é em meio a uma briga feia com a mãe que ela acaba sendo mandada para fora de casa, de volta para a casa de sua avó. Mas se tratando de um momento um tanto quanto rebelde, Cecília aceita a moradia oferecida pela amiga Iasmin, só que morar na mesma casa que seu chrush secreto não será tão fácil assim quanto parece.


Essa pode até parecer mais uma história de amor entre adolescentes, mas não é exatamente o que Iris Figueiredo nos trás aqui. Na verdade a autora explora com maestria a saúde mental de uma jovem garota atormentada por problemas vividos por muitos jovens assim como eu ou você. As angustias e anseios da protagonista são descritos com muita propriedade, e isso me trouxe à tona uma série de reflexões, afinal de contas quem nunca teve uma crise de autoestima ou até mesmo um desentendimento em família?
Era como me afogar em águas rasas, sem perceber que podia simplesmente colocar o pé no chão. - Pág 43
Cecília demonstra ser uma jovem forte por fora, mas por dentro está cada vez mais debilitada, isso fez com que minha empatia pela personagem fosse instantânea, vi muito de mim em Cecília, pois não sou o tipo de pessoa que compartilha sentimentos e lutas internas com facilidade, procuro me manter firme por fora mesmo vendo meu mundo desmoronando. Esse tipo de coisa não é legal, e em algumas pessoas causa o efeito que causou em Cecília.


A magnitude de Iris Figueiredo em 'Céu Sem Estrelas' ainda nos trás uma porção de personagens secundários que merecem destaque, a trama deles envolve assuntos como discriminação racial e relacionamento abusivo, que assim como a estória de Cecília também merecem ser abordada em um único livro (fica dica Iris).


O relacionamento de Bernardo e Cecília por sua vez foi algo que começou de forma singela e continuou sendo construída com o desenrolar do enredo, isso me conquistou completamente, ainda mais porque vagamos entre o ponto de vista de ambos os personagens, o que reforça a questão de que a vida de ninguém é perfeita, não existe famílias como as de comercial de margarina, todos nessa vida tem problemas e não cabe a nenhum de nós julgarmos alguém por conta de sua casa, seu carro, suas roupas ou coisa do tipo.


'Céu Sem Estrelas' aborda temas delicados como automutilação, depressão e gordofobia, mas ao mesmo tempo transforma tudo isso em uma obra extremamente sensível e encantadora, isso deve-se ao fato de que muita experiência vivida pela própria autora nos foi compartilhada dentro dessa ficção. Grande é minha gratidão e admiração por Iris ter transformado um de seus problemas em um livro que pode de certa forma ajudar aqueles que vivem angustias semelhantes a de Cecília, como também pessoas que estão ao redor de alguém como a protagonista e acaba julgando esse transtorno de uma forma errada.
Olhei para a fina linha vermelha no braço, para aquele filete de sangue que me mostrava que não importava quanta dor existia do lado de fora, ela era maior dentro de mim. - Pág 246

Com um final cheio de esperança e auxilio para aqueles que se sente cada dia mais se afogando em seus próprios sentimentos, 'Céu Sem Estrelas' aborda uma série de assuntos das quais são necessários ser falados. Iris Figueiredo é bem realista e nos mostra que nada se resolve em um passe de mágica, mas que dando o primeiro passo somos capazes sim de nos sentirmos melhores, de tratar a dor interna e até mesmo nos encontrar em meio a tudo isso. Leia este livro o quanto antes, ele pode ser o folego que você está precisando tomar em meio a esse afogamento de emoções dentro de você.


NOTA: 

OUTROS LIVROS DA AUTORA RESENHADOS NO BLOG:

Confissões On-line

IRIS FIGUEIREDO nasceu em 1992, na região metropolitana do Rio de Janeiro. É formada em produção editorial pela UFRJ e pós-graduada em transmídia. Já atuou em diversas áreas do mercado editorial e manteve por muitos anos o blog Literalmente Falando. É autora da duologia Confissões On-line: Bastidores da minha vida virtual (Generale, 2013) e Entre o real e o virtual (2015).

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