Título Original: Frankenstein
Autora: Mary Shelley
Editora: DarkSide
Ano: 2017
Páginas: 304
Gênero: Romance Gótico, Literatura Estrangeira, Literatura Clássica
Comprar: Americanas, Submarino
Sinopse: Victor é um cientista que dedica a juventude e a saúde para descobrir como reanimar tecidos mortos e gerar vida artificialmente. O resultado de sua experiência, um monstro que o próprio Frankenstein considera uma aberração, ganha consciência, vontade, desejo, medo. Criador e criatura se enfrentam: são opostos e, de certa forma, iguais. Humanos! Eis a força descomunal de um grande texto. Quando foi a última vez que você teve a chance de entrar em contato com a narrativa original desse que é um dos romances mais influentes dos últimos dois séculos? Que tal agora, na tradução de Márcia Xavier de Brito? Além disso, esta edição conta com quatro contos sobre a Imortalidade, em que Shelley continua a explorar os perigos e percalços daqueles que se arriscam à tentação de criar vida: “Valério: O Romano Reanimado”; “Roger Dodsworth: O Inglês Reanimado”; “Transformação”; e “O Imortal Mortal”, histórias pesquisadas e traduzidas por Carlos Primati, estudioso do gênero. Frankenstein, ou o Prometeu Moderno é um dos primeiros lançamentos da coleção Medo Clássico — ao lado do volume de contos do mestre Edgar Allan Poe — no início de 2017. A qualidade do livro é impecável, para cientista maluco nenhum colocar defeito. Capa dura, novas traduções, ilustrações feitas por Pedro Franz, artista visual e autor de quadrinhos reconhecido internacionalmente. O livro é impresso em duas cores: preto e sangue. Reencontre Frankenstein de um jeito que só a primeira editora brasileira inteiramente dedicada ao terror e à fantasia poderia lançar. It’s alive!(SKOOB)
De 2017 à era clássica, será que podemos? Embarque comigo nesse pertinente e bom retrocesso do universo literário. Recentemente a editora Darkside Books anunciou e surpreendeu mais uma vez o seu público com a notícia de que uma nova coleção estaria sendo lançada; “Medo Clássico” como é chamada, reunirá, como o próprio nome diz, livros clássicos do gênero horror/terror, livros os quais desencadearam o mercado, inspiraram e ainda inspiram diversos autores mundo à fora.


A coleção mal foi inaugurada e já possui dois clássicos profundos e eficientes como um tiro àqueles que procuram emerge-se em qualificadas histórias. Para hoje, resenho a primeira delas.

Tenho quase que absoluta certeza de que você já deve ter ouvido falar sobre Frankenstein, estou enganado? Outra quase absoluta certeza; ao ouvir falar dele você pensa na figura monstruosa com um parafusos e bizarrices construída pelos filmes e desenhos, certo?

Minhas impressões sobre a história eram totalmente superficiais estruturadas em filmes e desenhos animados, antes, não havia lido e/ou pesquisado sobre a verdadeira origem da história que desencadeou os portões e abriu caminho para o horror/terror literário, e, após o fazer, tive uma pitada de remorso em: “Por que não li esse livro antes?”.


Não pense você que o assim como citei anteriormente,  “Frankenstein” é um livro de horror/terror, se trata mais de um romance obscuro assemelhando-se à era gótica de 1818.

O livro começa sendo narrado por Robert Walton, um desbravador dos mares, que através de cartas mantém contato limitado com sua irmã, a Sra. Saville. Nas cartas, ele à narra como está sendo seu trajeto rumo ao congelante polo norte, a satisfação em estar seguindo um objetivo, a convivência com “seus” homens e oque mais me tocou, ele narra os sentimentos que sente, não de forma clara, porém perceptível àqueles que de sensibilidade se apossam.

Em meio ao aparente interminável trajeto, R. Walton menciona na carta escrita em Arcangel no dia 28 de março de 17- o quão sozinho ele se sente e o quão sem esperanças está em encontrar um amigo que compartilhasse dos mesmos sentimentos, alguém com o qual ele poderia conversar abertamente, compartilhar ideias, falar sobre tudo e todas coisas, compartilhar o sentimentalismo humano, tanto para matar o tempo quanto para sentir-se vivo.


Na carta do dia 5 a 19 de agosto, o capitão Walton narra que em certo dia, em meio uma tenebrosa nevasca que chegou a congelar e dificultar o avançar da embarcação, ele e seus tripulantes foram estupenda e estranhamente surpreendidos por uma figura, ao que a luz permitiu avistar, de uma criatura em corpo de homem porém em tamanho duplicado que estava seguindo em meio ao gelo em um trenó guiado por cães da neve. Diante da situação, o capitão sentiu um chama de excitação ao estipular que a previsão que mais cedo fora feita, de que estariam a milhares de metros distantes da civilização, estaria errada; logo que ao avistar cães, trenó é sinal de terra firme nos arredores próximos.

Alarmados pelo oque viram, o sono naquela noite demorou vir, porém, o verdadeiro alarme estaria por vir na manhã seguinte.

Ao levantar, Walton estranhou o fato de seus homens estarem aglomerados em um canto da embarcação, ao que parecia, tentando tirar algo da água congelante; mais do que ágil, o capitão se aproximou para averiguar.

Havia um homem na mais deplorável situação que alguém possa chegar, com o sangue do corpo quase congelado por completo. Instigante foi o fato de que mesmo estando em tal situação, o homem alertou que aceitaria a ajuda de boa vontade deles, apenas se o capitão lhe disesse para onde estavam indo, assim, Walton o fez.


Com o avanço da viagem e com o passar dos dias, uma espécie de amizade entre o capitão e o homem resgatado começou a surgir, remoendo o argumento de que não encontraria um amigo, que em cartas anteriores fora mencionado. O homem, nos primeiros contatos, apresentava-se tímido e assustado quando outros além do capitão tentavam lhe fazer perguntas sobre o que ele estava fazendo no trenó e o que aconteceu. Walton foi o único que conseguiu comunicar-se e de forma fluída naturalmente foi aos poucos conhecendo a história do homem que atendia pelo nome Vitor Frankenstein.

Em certa conversa o capitão menciona que ele e seus homens avistaram um figura estranha também em um trenó na noite anterior ao resgate, esta foi a agulhada no ponto certo.

Walton descobre que aquilo oque viu foi criado por Vitor, e que ele estava indo através da criatura para persuadi-la, uma vez que solta no mundo, o perigo seria para todos.


Nessa altura do livro, muitos detalhes vão sendo narrados nas cartas de Walton à sua irmã, não serei mais claro para evitar spoilers, porém é a partir deste ponto que o leitor começa a conhecer de fato a história “Frankenstein”.

Um ponto que me surpreendeu foi o fato de que Frankenstein não é o nome da criatura que conhecemos, mas sim, o sobrenome de quem o criou. Com o iniciar da narrativa de Vitor, fui sucessivamente me surpreendendo, principalmente com processo de criação e com parecer da criatura, que depois de algum tempo sem saber ou ter notícias do paradeiro dela, Vitor é notificado sobre um crime que tem total ligação com a criatura e com ele, aqui, conheci o terceiro ponto de vista, o sentimento de rejeição da criatura para com Frankenstein, seu próprio criador.

A leitura levantou vários pontos de reflexão, alguns deles podem ter fugido um pouco do objetivo do livro, porém, ao meu ver, tiveram conexão.

Reflexões como: o quão preconceituosa é a sociedade para com coisas e pessoas diferentes; o fato de que se médicos/cientistas dedicarem suas vidas ao estudo de reanimação de coisas e pessoas mortas isso pode se tornar real, outro dia desses uma notícia de transplante de cabeça estava à solta, se for verdade, os cientistas não estão tão longe da história. Parece ridículo, eu sei, mas foram algumas das reflexões que o livro despertou em mim, as outras, prefiro manter comigo por enquanto.

 “Frankenstein” foi o primeiro clássico do gênero que li e não me arrependo de forma alguma. É uma preciosidade sem comparação, esperava uma história, tive várias.

A forma com que é narrado, fez-me imaginar na época, vestindo as roupas tradicionais inglesas que encontramos nos livros didáticos de história; uma das narrativas mais profundas que li até então, mandado “Frankenstein” por Mary Shelley direto para minha lista de favoritos.

Pontos negativos? Apenas um: o livro deveria ter o dobro de páginas que tem, pois envolve tanto que acaba rápido!

Ressalto: A Deluxe Edition feita pela Darkside Books está simplesmente invejável, uma joia em minha estante! Sempre surpreendendo os leitores, me pergunto oque mais eles estão planejando, logo que já ficou claro que não existe limite de perfeição quando se trata da caveirinha. 💙💀💙


NOTA: 
Mary Wollstonecraft Shelley foi uma escritora britânica, filha do filósofo William Godwin e da pedagoga e escritora Mary Wollstonecraft. Casou-se com o poeta Percy Bysshe Shelley em 1816, depois do suicídio de sua primeira esposa.(SKOOB)


See you soon, Lucas! 

Comentários via Facebook

6 comentários:

  1. Vejo que você gostou muito dessa releitura clássica de terror, que queria até que o livro tivesse mais páginas. O que mais me chamou a atenção na sua resenha foi o fato de termos uma outra visão de Frankenstein, como em relação ao nome e outras características que ainda não tinha conhecimento e que são abordadas nessa história. Confesso não sei se daria uma chance a essa leitura, por aborda um gênero que não costumo ler e que não chama minha atenção.

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    1. Olá, Lana!
      Escuta meu conselho, por mais que o gênero não seja a sua praia, vale a pena dar uma chance!

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  2. OI.
    Sim eu já tinha ouvido falar de Frankenstein, e sim a imagem que tenho sobre ele é um monstro com parafuso nos ouvidos.
    Eu adorei essa premissa o livro me parece ser muito interessante, além de ter me chamado a atenção, e apesar de não curtir muito clássicos esse eu preciso ler com toda certeza.

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    1. Oee!
      Pois então correeee para ler, Marlene! :)

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  3. Olá, o livro levanta questões interessante e super presentes na sociedade além de contar com o belíssimo cenário do século XVIII. Gostei do fato do mito em torno de Frankstein ter ganhado uma trama mais realística. Beijos.

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