Quarta do Horror #20 - Subordinados ao Mestre - Edgar Allan Poe volume 1 - @DarkSideBooks

postado dia 22 março 2017


Por mais que, no mundo, haja milhares de mentes brilhantes, pessoas capazes de fazer uma revolução independentemente para com o que, sempre houve e continuará havendo figuras renomadas que, além de exercer um ótimo papel em determinada área, em plena nobreza inspiram toda uma geração de subordinados ao seu trabalho.


Para a nossa ‘Quarta do Horror’ de hoje, resolvi fazer um post sobre alguns autores que são subordinados a Edgar Allan Poe, mestre da literatura de horror/terror clássico.

Recentemente, a editora Darkside Books anunciou e surpreendeu mais uma vez o seu público com a notícia de que uma nova coleção estaria sendo lançada; feita especialmente para os leitores que tacam o horror no universo literário ‘Medo Clássico’, como é chamada, reunirá um conjunto de livros que como diz o nome, apresentarão histórias clássicas com explícita originalidade; livros tão renomados em suas respectivas origens, quanto no mundo todo.

Juntando os pontinhos, e, para quem é fã do gênero, após o anúncio da nova coleção ficou bem claro que algum livro do Edgar Allan Poe seria lançado, logo que a muito tempo o público vinha cobrando a editora para publicar as obras do mestre; e como tudo tem seu tempo certo, eis que o momento chegou, tardou, mas chegou! “Edgar Allan Poe” volume 1, estreia 5 estrelas do “Medo Clássico”. 

Sempre muito atenciosa com o público, a editora atendeu os inúmeros pedidos de publicação em uma forma exemplar, a edição que os mesmos produziram para o livro 1 é de cair o queixo! Sendo eu fã da editora, você pode achar que estou sendo exagerado ou até mesmo possa estar fazendo ‘jabá’, mas não, literalmente a edição está fantástica.

O pessoal da produção artística conseguiu juntar fatores e cuidados essenciais que um clássico merece: boa diagramação, cartela de cores sem destoar, capa dura com arte em destaque e outros mais, assim, despertando tanto a curiosidade quanto a compulsiva mania de compra de livros do público. Mas gente, vem cá, convenhamos que uma edição como esta, abrilhanta e muito uma mera estante/nicho, concorda? Resumidamente, mais uma vez, a Darkside Books acertou e muito! Palmas!


Voltando ao nosso tema de hoje, Poe é considerado mestre da literatura dark mundo à fora, suas obras começaram da mesma forma como tudo começa, no zero. Porém, o talento do escritor era de longe notável e de pouco em pouco, o público de Poe foi aumentando, em uma constante conquistando mais e mais fãs, fazendo dele hoje, uma preciosa referência e inspiração tanto para novos escritores, quanto para produtores de cinema, conteúdo televisionado, músicas e outros meios, em outras palavras, o retorno positivo que o trabalho de Poe teve, o transformou em um ícone não só da literatura mas como também em um ícone da arte em geral.

Depois de Poe, muitos outros escritores surgiram, alguns se deram bem e outros nem tanto, mas isso não os desmotivou, muito pelo contrário, tiveram o sucesso de Poe como um incentivo e inspiração, tal ato, segue até a atualidade.

Stephen King, Peter Straub, Shepherd entre outros grandes nomes da literatura, orgulham-se em dizer que usam os contos e poemas de Poe como inspiração. Tamanha admiração os tornaram tão bons quanto. 

Mas não se engane ao pensar que apenas autores internacionais se inspiraram / são comparados à Poe, como citei em um post recente, autores nacionais vem conquistando o mercado literário, um ótimo exemplo de autor que hora foi comparado com Poe é o César Bravo, autor do livro “Ultra Carnem”, sua escrita é tão instigante quanto aos obscuros poemas góticos do mestre.

Poe, uma vez disse:
“Tudo o que vemos, ou, parecemos, não passa de um sonho dentro de um sonho.”
Essa citação define o post de hoje; os autores inspirados por Edgar compartilham de um mesmo propósito, expandir, embelezar e enriquecer a literatura mundial, e isso eles estão fazendo muito bem.

Para encerrar, abaixo compartilho um dos mais famosos poemas de Edgar, delicie-se.

O CORVO
Em certo dia, à hora, à hora Da meia-noite que apavora, Eu caindo de sono e exausto de fadiga, Ao pé de muita lauda antiga, De uma velha doutrina, agora morta, Ia pensando, quando ouvi à porta Do meu quarto um soar devagarinho E disse estas palavras tais: "É alguém que me bate à porta de mansinho; Há de ser isso e nada mais." Ah! bem me lembro! bem me lembro! Era no glacial dezembro; Cada brasa do lar sobre o chão refletia A sua última agonia. Eu, ansioso pelo sol, buscava Sacar daqueles livros que estudava Repouso (em vão!) à dor esmagadora Destas saudades imortais Pela que ora nos céus anjos chamam Lenora, E que ninguém chamará jamais. E o rumor triste, vago, brando, Das cortinas ia acordando Dentro em meu coração um rumor não sabido Nunca por ele padecido. Enfim, por aplacá-lo aqui no peito, Levantei-me de pronto e: "Com efeito (Disse) é visita amiga e retardada Que bate a estas horas tais. É visita que pede à minha porta entrada: Há de ser isso e nada mais." Minha alma então sentiu-se forte; Não mais vacilo e desta sorte Falo: "Imploro de vós - ou senhor ou senhora - Me desculpeis tanta demora. Mas como eu, precisando de descanso, Já cochilava, e tão de manso e manso Batestes, não fui logo prestemente, Certificar-me que aí estais." Disse: a porta escancaro, acho a noite somente, Somente a noite, e nada mais. Com longo olhar escruto a sombra, Que me amedronta, que me assombra, E sonho o que nenhum mortal há já sonhado, Mas o silêncio amplo e calado, Calado fica; a quietação quieta: Só tu, palavra única e dileta, Lenora, tu como um suspiro escasso, Da minha triste boca sais; E o eco, que te ouviu, murmurou-te no espaço; Foi isso apenas, nada mais. Entro co'a alma incendiada. Logo depois outra pancada Soa um pouco mais tarde; eu, voltando-me a ela: "Seguramente, há na janela Alguma coisa que sussurra. Abramos. Ela, fora o temor, eia, vejamos A explicação do caso misterioso Dessas duas pancadas tais. Devolvamos a paz ao coração medroso. Obra do vento e nada mais." Abro a janela e, de repente, Vejo tumultuosamente Um nobre Corvo entrar, digno de antigos dias. Não despendeu em cortesias Um minuto, um instante. Tinha o aspecto De um lord ou de uma lady. E pronto e reto Movendo no ar as suas negras alas. Acima voa dos portais, Trepa, no alto da porta, em um busto de Palas; Trepado fica, e nada mais. Diante da ave feia e escura, Naquela rígida postura, Com o gesto severo - o triste pensamento Sorriu-me ali por um momento, E eu disse: "Ó tu que das noturnas plagas Vens, embora a cabeça nua tragas, Sem topete, não és ave medrosa, Dize os teus nomes senhoriais: Como te chamas tu na grande noite umbrosa?" E o Corvo disse: "Nunca mais." Vendo que o pássaro entendia A pergunta que lhe eu fazia, Fico atônito, embora a resposta que dera Dificilmente lha entendera. Na verdade, jamais homem há visto Coisa na terra semelhante a isto: Uma ave negra, friamente posta, Num busto, acima dos portais, Ouvir uma pergunta e dizer em resposta Que este é o seu nome: "Nunca mais." No entanto, o Corvo solitário Não teve outro vocabulário, Como se essa palavra escassa que ali disse Toda sua alma resumisse. Nenhuma outra proferiu, nenhuma, Não chegou a mexer uma só pluma, Até que eu murmurei: "Perdi outrora Tantos amigos tão leais! Perderei também este em regressando a aurora." E o Corvo disse: "Nunca mais." Estremeço. A resposta ouvida É tão exata! é tão cabida! "Certamente, digo eu, essa é toda a ciência Que ele trouxe da convivência De algum mestre infeliz e acabrunhado Que o implacável destino há castigado Tão tenaz, tão sem pausa, nem fadiga, Que dos seus cantos usuais Só lhe ficou, na amarga e última cantiga, Esse estribilho: "Nunca mais." Segunda vez, nesse momento, Sorriu-me o triste pensamento; Vou sentar-me defronte ao Corvo magro e rudo; E mergulhando no veludo Da poltrona que eu mesmo ali trouxera Achar procuro a lúgubre quimera. A alma, o sentido, o pávido segredo Daquelas sílabas fatais, Entender o que quis dizer a ave do medo Grasnando a frase: "Nunca mais." Assim, posto, devaneando, Meditando, conjecturando, Não lhe falava mais; mas se lhe não falava, Sentia o olhar que me abrasava, Conjecturando fui, tranqüilo, a gosto, Com a cabeça no macio encosto, Onde os raios da lâmpada caiam, Onde as tranças angelicais De outra cabeça outrora ali se desparziam, E agora não se esparzem mais. Supus então que o ar, mais denso, Todo se enchia de um incenso. Obra de serafins que, pelo chão roçando Do quarto, estavam meneando Um ligeiro turíbulo invisível; E eu exclamei então: "Um Deus sensível Manda repouso à dor que te devora Destas saudades imortais. Eia, esquece, eia, olvida essa extinta Lenora." E o Corvo disse: "Nunca mais." "Profeta, ou o que quer que sejas! Ave ou demônio que negrejas! Profeta sempre, escuta: Ou venhas tu do inferno Onde reside o mal eterno, Ou simplesmente náufrago escapado Venhas do temporal que te há lançado Nesta casa onde o Horror, o Horror profundo Tem os seus lares triunfais, Dize-me: "Existe acaso um bálsamo no mundo?" E o Corvo disse: "Nunca mais." "Profeta, ou o que quer que sejas! Ave ou demônio que negrejas! Profeta sempre, escuta, atende, escuta, atende! Por esse céu que além se estende, Pelo Deus que ambos adoramos, fala, Dize a esta alma se é dado inda escutá-la No Éden celeste a virgem que ela chora Nestes retiros sepulcrais. Essa que ora nos céus anjos chamam Lenora!" E o Corvo disse: "Nunca mais." "Ave ou demônio que negrejas! Profeta, ou o que quer que sejas! Cessa, ai, cessa!, clamei, levantando-me, cessa! Regressa ao temporal, regressa À tua noite, deixa-me comigo. Vai-te, não fica no meu casto abrigo Pluma que lembre essa mentira tua, Tira-me ao peito essas fatais Garras que abrindo vão a minha dor já crua." E o Corvo disse: "Nunca mais." E o Corvo aí fica; ei-lo trepado No branco mármore lavrado Da antiga Palas; ei-lo imutável, ferrenho. Parece, ao ver-lhe o duro cenho, Um demônio sonhando. A luz caída Do lampião sobre a ave aborrecida No chão espraia a triste sombra; e fora Daquelas linhas funerais Que flutuam no chão, a minha alma que chora Não sai mais, nunca, nunca mais!
See you soon, Lucas!  

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6 comentários:

  1. Vejo que essa editora sempre está pronta para atender aos pedidos dos leitores, e da para notar que executam esse atendimento de forma esplêndida. Apesar de não acompanhar esses clássicos da literatura do gênero terror, por não gostar desse tipo de história, ainda sim fiquei completamente apaixonada por essa edição que está linda. Imagino a felicidade de vocês que são fans quando soube da noticia da publicação.

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    1. Lana, eu era assim como você, não lia e nem acompanhava os clássicos, mas essas edições são um ótimo veículo para começar a conhecer as origens das histórias que inspiram os livros que vem sendo lançados hoje em dia :)

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  2. OI.
    Que edição mais linda.
    Eu adoro os livros do EDGAR ALLAN POE, tive que fazer um trabalho em cima de uma das suas obras e foi simplesmente maravilhoso, fiquei surpresa em ver que a editora tinha lançado esse livro, eu nem imaginava.
    Vou ler com certeza.
    Bjs.

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    1. Seguindo o esplendor da história, a edição está fantástica!

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  3. Olá, editora Darkside surpreende cada vez mais pela dedicação aos leitores, não conheço muito sobre terror clássico, mas pela resenha vejo que Edgar Allan Poe foi e continua sendo inspiração para muitos leitores, devido a sua mente brilhante e singular. Beijos.

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    1. Acredito que continuará inspirando novos autores por séculos :)

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