Entrevista com o autor Nikolaj Frobenius de 'Vou Lhe Mostrar o Medo'

postado dia 11 agosto 2013

A Editora Geração acaba de trazer para o Brasil um dos maiores escritores norueguense da atualidade, Nikolaj Frobenius. A obra escolhida para sua estreia no Brasil não poderia ser mais instigante para os fãs da literatura policial. 'Vou lhe mostrar o medo' é um suspense psicológico centrado na pessoa do grande poeta e contista norte-americano Edgar Allan Poe (1809-1849), criador do gênero policial na literatura. A editora gentilmente forneceu um exemplar do livro para o blog, então abaixo vocês podem conferir a sinopse, seguida pela entrevista com Nikolaj Frobenius, que em breve iremos postar a resenha.


"QUANDO OS CONTOS MACABROS DE UM FAMOSO ESCRITOR SERVEM DE INSPIRAÇÃO PARA UM FÃ ASSASSINO, A VIDA IMITA A ARTE NUM SUSPENSE ELETRIZANTE"

Sinopse: Edgar Allan Poe, o célebre poeta e autor de histórias de terror, bem como criador do gênero policial na literatura, é o protagonista deste romance de suspense psicológico, que discute os limites da criação literária e a responsabilidade moral da arte. Nele vemos o jovem escritor norte-americano afligido pela pobreza, angustiado com a enfermidade da sua frágil esposa e assombrado por um maníaco que comete assassinatos inspirados nos seus escritos, além de sabotado em sua carreira pelo crítico literário Griswold, que lhe dedica um misto de admiração e ódio.Publicado em toda a Europa, traduzido em dez idiomas e plagiado por Hollywood, este romance premiado marca a estreia, no Brasil, de Nikolaj Frobenius, um dos grandes expoentes da moderna literatura norueguesa.

Nikolaj Frobenius
Como e quando teve início a sua fascinação por Edgar Allan Poe?
A primeira vez que ouvi um conto de Edgar Allan Poe foi durante uma viagem que fiz com meu pai quando eu tinha 13 anos. Era outono e fomos para um chalé no bosque, na região leste da Noruega. Estávamos em meados de outubro e o clima encontrava-se úmido e sombrio. O chalé era isolado, não havia eletricidade e a atmosfera era soturna — perfeita para uma historinha horripilante. Não havia TV e nem radio no chalé, nenhum acesso a entretenimentos modernos, mas ao anoitecer meu pai tirava um livrinho da estante e lia um conto para mim. A história era incrivelmente simples, sobre um homem que vagueia pelas ruas da velha Londres, observando as pessoas, entusiasmado com a atmosfera febril da metrópole. Ele se senta num café para descansar. Na multidão à sua frente, vislumbra um homem muito velho percorrendo a praça sem rumo. Por curiosidade começa a seguir o velho através de ruas e vielas estreitas, durante horas. O velho apenas anda e anda, sem direção, sem propósito, e no final o narrador desiste. Não há objetivo, não há motivo algum, apenas caminhar sem fim. Esse é o enredo do conto de Poe “O homem na multidão”É incrivelmente simples, quase absurdo. Mas o modo como foi escrito, o terror reprimido do narrador e as aleias escuras da velha Londres, causaram uma tremenda impressão em mim quando eu era garoto. Continuei a ler os contos de Poe e, mais tarde, interessei-me também por seus ensaios e poemas. Seus contos são de suspense psicológico e acho que foi essa combinação que me fascinou: o horror da alma.

O seu livro traz uma ligação bastante sutil entre Griswold, Poe e Samuel, o assassino. Griswold condena Poe por ser amoral como escritor e como poeta, ao passo que Samuel — o homem que comete assassinatos sangrentos inspirado pelos contos de Poe — é um personagem completamente amoral. Seria isso um modo sutil de sugerir que Griswold tinha razão em sua opinião de que a poesia deve sempre ter uma justificação moral?
No que se refere a Samuel, acho que as ações dele dificilmente podem ser compreendidas como algo além de um terrível mal-entendido. Mas creio que também demonstra a vulnerabilidade da literatura. Não existem garantias, para o escritor, de que ele será entendido, e textos às vezes podem ser mal interpretados de formas muito destrutivas. Mas há outra camada no romance que se ocupa — como você mencionou —, do subtexto amoral dos escritos de Poe. Assim, embora Samuel Reynolds seja com certeza o tipo de fã obcecado que nenhum autor deseja ter, ele foi influenciado pelo elemento misantrópico do universo de Poe. A atmosfera de perigo nos contos de Poe também está associada aos elementos de violência e horror da sua ficção, ele tem um autêntico instinto para isso. O que talvez explique por que Poe continua sendo um escritor tão controverso.

Quem são seus escritores favoritos e de que modo eles inspiram você?
Li Edgar Allan Poe quando adolescente, juntamente com Dostoievski e William Faulkner. O material “dark”. Mais tarde, passei a ler de forma mais abrangente e tive uma forte queda por escritores sul-americanos, como Borges e Bolano. Sempre apreciei o gênero noir e recentemente li muita coisa do escritor norte-americano de literatura pulp David Goodis. Sujeito perturbado. Escreve formidavelmente.

A sua ideia para o romance Vou lhe mostrar o medo é exatamente a mesma do filme O corvo, que estrelou John Cusack no papel de Poe, mas o seu nome não foi mencionado nos créditos. Foi plágio ou você fez algum tipo de acordo com os produtores do filme?
Bom, às vezes acontece de você ter uma ideia realmente boa e então alguém a retalha toda e finge que é dele. Isso não contribui muito para a minha boa opinião sobre a humanidade, mas não há dúvida de que existem por aí abutres à procura de ideias para adotar, roubar e devorar. Na verdade, o filme foi bem decepcionante, a ideia acabou sendo melhor que o próprio filme, o que me parece justo: se você rouba as ideias dos outros, receberá algum tipo de castigo no final.

Não são muitos os autores noruegueses conhecidos dos leitores brasileiros. Em sua opinião, quem são os melhores autores da Noruega e o que você tem a dizer sobre deles?
A Noruega é um país pequeno, mas somos abençoados com uma literatura bastante rica, tanto tradicional quanto contemporânea. Knut Hamsun, o Dostoievski norueguês, Henrik Ibsen e Sigrid Undset são provavelmente os escritores noruegueses mais célebres. O bom a respeito da literatura norueguesa contemporânea é que existem realmente muitos estilos e perfis, há escritores jovens que mergulham na vida privada do aqui e agora, mas existem também alguns que procuram dar vida nova a gêneros antigos, como o noir, o romance político, etc.

Você está com algum projeto novo no momento? Pode falar a respeito?
Estou concluindo um novo romance, intitulado A maldição. É um romance sobre um romancista que escreve um romance autobiográfico a respeito da infância dele e de um incidente particular em que uma escola foi incendiada. O culpado é expulso da escola e, mais tarde, dado como morto. Porém, muitos anos depois, o piromaníaco volta para se vingar do modo como foi retratado no romance, e o romancista é lenta porém inevitavelmente envolvido numa teia sinistra. Esse é o enredo, e no momento o meu trabalho consiste em tornar cada frase tão boa quanto possível.


E ai pessoal, o que acharam da entrevista? Alguém ai já leu o livro ou pretende lê-lo?

XOXO

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19 comentários:

  1. Achei a entrevista interessante, no entanto não li, nem me interessei para ler o livro ;s

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  2. Dos nórdicos, só conheço alguns escritores suecos - eles arrasam no gênero policial - e é bom ver que estão trazendo escritores de outras nacionalidades pro Brasil :) EUA, EUA, EUA all the time enjoa haha

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  3. Quem é fã dele (Poe) deve gostar desse livro. Achei super interessante e foi um que me interessou de ler, ver aqui mais coisas dele só aumenta a vontade.
    Bacana a entrevista, saber mais dos autores e de como as obras surgiram é sempre legal de ver.

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  4. cara eu não sou mt afim de ler os livros dele sabe

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  5. Até fiquei interessado no livro dele já que traz contos do divo Poe!
    Mas não sei não rsrs, quem sabe futuramente.

    David - Leitor Compulsivo

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  6. Não sou muita fã do gênero policial..mas se bem que fiquei curiosa com esse livro ^^ quero saber mais desse misterio...e bem legal a entrevista com o Nikolaj Frobenius...já quero A Maldição...vai ser uma espera interminavel já que ele ainda tá escrevendo u.u

    http://livroaoavesso.blogspot.com.br/

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  7. Recentemente li Abraham Lincoln e nele Edgar Poe esteve presente 70% do livro... Confesso que adorei ele no personagem. E sobre o tal "Plágio"? Que tenso né. Quero ler este e A Maldição!!!
    Posta logo a resenha viu? :P

    Bjs
    http://estantedasfadas.blogspot.com.br/

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  8. Acho que nunca li nenhum livro desse gênero, então não tenho com dizer se gosto ou não, até tenho um mais está pegando poeira na minha estante. Achei a sinopse interessante só esta falando um empurrãozinho para começar.

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  9. Toda hora eu vejo essa capa, leio "Vou lhe mostrar o DEDO" e começo a rir.

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  10. A história do livro realmente não me chamou atenção até agora, quem sabe futuramente. Mas gostei da entrevista. Chocada que roubaram a ideia dele para fazer um filme. Como tem gente cara de pau!! Eu gostei mais do plot do novo projeto dele, amo histórias de vingança, sou dessas bem vingativas #maligna.

    Eu ia comentar antes, mas eu estava com problema na caixa de comentários ontem, não conseguia comentar em nenhum blog :(

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  11. Já tinha visto o livro em alguns blogs literários que eu visito, só que não me interessei muito, o gênero do livro não faz muito meu tipo, mas pra quem gosta deste tipo de leitura o livro deve ser mais que favoritos rsrsrs ;D
    Beijoos.
    Lauro,
    http://entreversosepaginas.blogspot.com.br/

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  12. Bem o autor era completamente desconhecido por mim ate agora, ate que eu gosto desse genero que ele escreve, mas tem alguns livros que são muito tensos e paro de ler. Esperar resenha para ver se o livro é bom ou nao.

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