Título Original:
The theory of the leisure class
Autor: Thortein Veblen
Páginas: 304
Gênero:  Ciências sociais / Classes sociais
Ano: 2021
Comprar: Amazon

Sinopse: Em O impacto econômico da classe ociosa, Thorstein Veblen analisa de forma crítica e satírica os mecanismos que levam uma classe não produtiva – a classe ociosa – a se entregar ao consumo exacerbado, em uma evidente manifestação de ostentação, esnobismo e status social. Além de descrever o estilo de vida dessa classe, Veblen demonstra como a classe ociosa sempre se fez presente ao longo da história, determinando os padrões seguidos pelas demais classes. Integrando economia, sociologia, filosofia, história e psicologia, o autor elabora uma teoria multidisciplinar para a explicação desse fenômeno, realizando análises que transitam entre o macro e o micro, e o social e o individual. Este estudo desenvolve ideias que, por sua sagacidade e intuição, ainda hoje são válidas, apesar de todas as inevitáveis transformações ocorridas no último século, podendo ser facilmente observadas nos hábitos, valores e comportamentos no mundo atual. Passados mais de 130 anos, a obra mantém surpreendente e incômoda atualidade evidenciada, que pode ser comparada também, por exemplo, à ação de celebridades digitais que, como típicos representantes da classe ociosa, utilizam o poder das redes sociais para direcionar o consumo, criar e matar marcas e disseminar a ostentação do século XXI, ratificando as teses desenvolvidas por Veblen em seu trabalho.    (FONTE)



Oi, gente!!! Tudo bem?

Embora eu seja estudante de saúde, amo a área de humanas. Todos os livros que me fazem compreender o motivo da sociedade ser o que ela é e de fazer o que ela faz chamam a minha atenção.

Publicado pela Faro Editorial através do selo Avis Rara o livro 'O impacto econômico da classe ociosa' de Thorstein Veblen vem nos mostrar que a ostentação de dinheiro e status social não é algo novo, algo que só estamos vendo nessa nova geração.

Thorstein volta aos primórdios da civilização humana para nos mostrar como todo esse exibicionismo começou e de que classe social essas pessoas eram. O autor ao longo do livro vai destrinchando bem os componentes da classe ociosa, tão bem que embora o livro tenha sido publicado pela primeira vez em 1899 parece que de lá pra cá pouca coisa mudou.



Veblen também nos fala de como ações que sendo feitas por essas classes são chamadas de nobres, mesmo que degradantes, e se feitas por pessoas de um grupo inferior não surtem a mesma admirações. Parece muito atual, não é mesmo?

A instituição de uma classe ociosa é o resultado de um ancestral discriminação entre ofícios, de acordo com a qual alguns trabalhos sejam dignos e outros, desonrosos.    Pág 16

Nos capítulos em que o escritor fala sobre a presença da classe ociosa na religião e na educação, é muito interessante como o autor relata as ações das pessoas ociosas que estão nessa  área, nesses capítulos discordei um pouco do que o autor escreveu.

É a primeira vez que li Thorstein Veblen e achei a escrita do mesmo muito boa, como disse, gosto de ler sobre a sociedade e, mesmo que eu discorde de alguns pontos, o que é absolutamente normal, vamos sempre lembrar disso, a leitura foi bastante enriquecedora. 

Outra coisa que gostaria de deixar registrado é que como o autor trata do assunto minuciosamente, a obra não será lida em 24 horas, pelo menos para mim foi assim. Isso é perfeitamente normal, existem livros que devoramos e existem livros que degustamos, ambos são excelentes, não é mesmo?



A Faro Editorial sempre arrasa nos seus livros, gosto muito da editora. A diagramação é muito boa, sempre é. Portanto a única coisa que vou cita de diferente das resenhas dos livros que faço da Faro é que o tamanho das letras desse vieram menores, todavia não tive problema com a leitura. Outro detalhe é que ao longo da leitura nos deparamos com eventuais explicações no rodapé.

Recomendo a leitura do livro e finalizo com uma frase que certa vez li escrita em um banco de ônibus: "Todo futuro tem um passado."

Não sei quem a escreveu, não pesquisei, porém essa frase é tão certa como o sol nascerá amanhã.


Até a próxima!!!


Nota:


Thorstein Veblen (1857-1929), americano descendente de noruegueses, estudou filosofia, ciências sociais e economia nas universidades Johns Hopkins, Yale e Cornell. Posteriormente, lecionou nas universidades de Chicago, Missouri e Stanford. Veblen adotou uma abordagem darwinista para o estudo das instituições econômicas, com ênfase os usos e nos costumes sociais, tornando-se, assim, um dos fundadores da escola de Economia Institucional.

Autor:
Luciana Brites 
Editora: Editora Gente
Páginas: 176 
Gênero:  Crianças desenvolvimento / Psicologia infantil
Ano: 2020
Comprar: Amazon

Sinopse: Você e a sua criança precisam remar juntos, como se estivessem em uma canoa, se quiserem avançar e chegar a algum lugar”. – Luciana Brites “Nos primeiros anos de vida, o brincar representa uma situação de criatividade espontânea que enriquece o conhecimento, a sociabilidade e as funções cerebrais no processo de aprendizagem. Ao brincar, a criança emite criatividade, expressa fantasias, sensações, e emoções internas e adquire maturidade, resultados esses que a gratificam continuamente. Em Brincar é fundamental, Luciana Brites nos ajuda a compreender melhor o processo de aprendizagem e a importância dos estímulos adequados na primeira infância a partir dos aspectos anatomofuncionais do sistema nervoso, como a linguagem, a audição e a visão. Além de reunir referências de publicações de renomados pesquisadores da área, a autora constrói, em linguagem acessível, um guia prático destinado a mães, pais, educadores e profissionais que lidam com crianças que desejam compreender melhor o desenvolvimento na primeira infância.” – Profa. Dra. Maria Valeriana Leme de Moura Ribeiro, neurologista infantil Neste livro você vai aprender: 1. A identificar e a compreender as etapas do neurodesenvolvimento da criança; 2. Quais são os estímulos adequados para a criança na primeira infância; 3. Como otimizar o desenvolvimento do seu filho, aluno ou criança com a qual convive; 4. Entender os aspectos que ajudam na estimulação das crianças: aprendizagem, brincadeira, cognição e desenvolvimento; 5. A importância do desenvolvimento adequado na primeira infância para que a criança se torne um adulto pleno, realizado e feliz.          (FONTE)

 Oi, gente!

A resenha de hoje vem falar sobre a importância do brincar e como ela pode ajudar no desenvolvimento da criança. Vamos para a resenha?


Publicado pela Editora Gente'Brincar é fundamental' da autora Luciana Brites tem a finalidade de ajudar pais, educadores e cuidadores a compreender o processo de aprendizagem através do brincar. Luciana inicia seu livro falando como funciona o cérebro dos pequenos e como tudo que fazemos afeta a vida deles antes mesmo do nascimento.


Com motivação, suporte e carinho, é mais fácil aprender, em qualquer etapa da vida.    Pág. 70


Ao longo da obra a autora nos apresenta o seu método ABCD, método este que contém quatro etapas onde nos ajudará a ser um potencializador no crescimento das crianças. As etapas são:

1- Aprendizagem

2- Brincadeira

3- Cognição

4- Desenvolvimento



Enquanto a autora vai destrinchando o método que criou, sempre baseando as suas informações com dados e pesquisas, algo que achei muito bom na obra, o leitor vai percebendo o quão precioso é a infância e o ato de brincar.


Brites também fala da necessidade de respeitarmos o tempo da criança e permiti-la ser criança, pois como a mesma escreveu no livro, as pessoas esperam que elas não façam "bagunça", não corram, não se sujem. Gostei quando a autora disse que criança tem que ser criança, não devemos faze-las mini adultos.


Em resumo, deixe-a viver e explorar o mundo por meio do brincar, seja imitando, testando ou fazendo de conta, sozinha ou acompanhada. Viver é aprender.                        Pág. 125


Embora 'Brincar é fundamental' tenha apenas 176 páginas, o conhecimento trazido para o leitor é imenso. No final de alguns capítulos temos curiosidades, dicas e observações, já nas páginas finais contamos com dois anexos onde encontramos brincadeiras simples e indicadores de desenvolvimento infantil, esses anexos tem suas informações separadas por idade.


A Editora Gente está de parabéns pela diagramação do livro. A capa é linda e tem ligação com o conteúdo do livro, as páginas são amareladas, o papel utilizado é muito bom e o tamanho das letras é ótimo. Uma junção perfeita para se ter uma leitura agradável.


 


Se alguém me pedisse recomendação de um livro sobre educação infantil, com toda certeza este seria o escolhido, pois o mesmo trata a infância de um jeito leve nos mostrando que para uma criança ser feliz e crescer saudável ela não precisa de muitas coisas. 


Não pode bancar brinquedos, livros e eletrônicos de última geração? Tudo bem. O que a maioria de nós realmente precisa é sentir-se amada, respeitada e valorizada.           Pág. 55


No momento não sou mãe, mas caso venha a ser, este livro já estará na minha estante para ser utilizado, na verdade foi pensando nisso que o escolhi para a minha leitura (rsrsrs mulheres e o pensamento no futuro). Portanto, recomendo a leitura e até aconselho a dar de presente também, tenho certeza que quem ganhar irá amar.


Nota: 


Luciana Brites é mestranda em Distúrbios do Desenvolvimento pela Universidade Mackenzie, especializada em Educação Especial na área de Deficiência Mental e Psicopedagogia Clínica e Institucional pelo Centro Universitário Filadélfia (Unifil), em Londrina. É especialista em psicomotricidade pelo Instituto Superior de Psicomotricidade e Educação (ISPE), em São Paulo. Lu Brites também é fundadora do NeuroSaber, instituto que tem como propósito desenvolver o potencial de cada criança, levando as evidências cientificas para pais, professores e profissionais da saúde. Além de palestrante, Luciana é coautora de Como saber do que seu filho realmente precisa? (2018), Mentes únicas (2019) e Crianças desafiadoras (2019), todos publicados pela Editora Gente.



Olá leitores! Mais uma vez vamos falar sobre uma série que é a adaptação de um livro e o escolhido da vez é 'Mismatched', ou no mundo literário 'Match Imperfeito'.

A série conta a história de Dimple, uma jovem indiana que sonha em trabalhar com programação e ter uma carreira de sucesso, muito diferente das expectativas de sua mãe conservadora, e Rishi, que vem de uma família com pais separados e sonha em viver um grande amor como seus avós, a história dos dois colide quando a mãe de Dimple combina um casamento arranjado para ela.


Os dois se conhecem numa escola de programação e tudo é um desastre, pois Dimple não fazia ideia da armação de sua mãe e achou que Rishi fosse um stalker. Depois desse mal entendido, eles vão acabar se aproximando quando o professor propõe uma competição de duplas para criação de um aplicativo.



Eu nunca assisti nenhuma série indiana e apesar do livro se passar nos Estados Unidos, eu gostei bastante dessa mudança, pois isso permitiu que tivéssemos mais contato com outra cultura, além de desmistificar alguns ideias que temos acerca dos costumes indianos.


Os personagens poderiam muito bem ser esteriotipados, mas cada um apresenta uma característica muito singular, temos Namrata, a melhor amiga lésbica de Rishi, que tem que esconder sua opção sexual da família, Celina, que finge ser rica para não sofrer buylling, Anmol, um cadeirante extremamente orgulhoso e machista, só por essas descrições já deu para ter ideia de como tudo é bem fora da caixinha né?



Gostei bastante do trabalho visual da série também, como os personagens têm que criar vários aplicativos, foi muito interessante eles mostrarem como seria essa ideia visualmente e toda vez que a ideia sofria uma modificação, a animação também era alterada. Acredito que isso deixou a história mais dinâmica.


A série é bem rápida com apenas 6 episódios e em média 35 a 45 minutos de duração, eu maratonei tudo em uma noite e a temporada termina com um cliffhanger que deixa a gente ansioso. Fiquei muito interessada em conhecer os livros da autora, principalmente o segundo dessa série que é o preferido de muita gente.



Lembrando que 'Match Imperfeito' foi lançado esse ano pela Editora Gutenberg. Me conta se você assistiu a série ou leu os livros, eu descobri ela por acaso e não vejo muita gente comentando. Ah e me diz se você passou raiva com a Dimple por conta do machismo do Anmol, porque eu torci muito pela derrota dele.

Título Original: Devoção Verdadeira a D.
Autor: César Bravo
Páginas: 384
Gênero: Horror/ Terror
Ano: 2020
Comprar: Amazon
Sinopse: Histórias de sangue sempre voltam para nos assombrar. Seremos devotos de D., confiando em sua palavra para visitar a cidade maldita mais uma vez? O mestre brasileiro do terror, Cesar Bravo, expande o próprio tempo e mostra que as raízes infernais de Três Rios são bem mais antigas e profundas do que poderíamos imaginar. Em DVD: Devoção Verdadeira a D., tudo está ultra conectado, com verdades e personagens que vão muito além da carne. Quem ficou sem dormir por conta das visões perturbadoras de VHS: Verdadeiras Histórias de Sangue precisa se preparar. Bravo nos apresenta histórias ainda mais sangrentas, contos que se retroalimentam e se fundem, filhotes cruéis que nasceram no coração da terra faminta de Três Rios. O silêncio pandêmico ecoa diante de personagens tão reais quanto assustadores, e novos registros aterrorizantes se unem a outras obras da carreira do autor. (SKOOB)
 
'DVD: Devoção verdadeira a D.' é um livro nacional do autor César Bravo e foi um lançamento de 2020 da Editora Darkside, que cedeu o livro para resenha, obrigada! 

Neste livro retornamos à cidade fictícia de Três Rios e outros municípios limítrofes que compõe o Noroeste Paulista, para acompanhar mais 21 contos macabros e cheios de reflexão. Seguindo a tradição iniciada em VHS, o primeiro conto é ambientado na locadora FireStar e vamos acompanhando a substituição das antigas fitas VHS por DVD, apesar disso a locadora ainda mantém os vídeos bizarros no catálogo para seus clientes mais fiéis. 




Depois de ler o trabalho anterior do autor, eu já sabia que nem todos os contos tinham a intenção de assustar o leitor, pelo menos não no sentido tradicional, mais uma vez César Bravo nos provoca com a maldade humana e causa reflexão e desconforto no leitor, afinal nem sempre o monstro que se esconde dentro de cada um é visível externamente. Além disso, o autor conecta algumas histórias que vimos em VHS nesse livro, desde menções a personagens protagonistas em outros contos até lendas que anos depois ainda são recontadas aos jovens de Três Rios. 

Se existe um lugar mais escuro que a própria solidão humana, o endereço é o arrependimento. - Pág 106

Nem todos os contos me agradaram e por serem histórias curtas, acho bem mais interessante deixar que o leitor tire suas próprias conclusões, porém não posso deixar de mencionar minhas histórias favoritas e deixar o alerta para todos. Sendo assim, nós temos em ‘Ballet Royale’ sessões de tortura de deixar o leitor com repulsa, mas que traz uma mensagem bem importante, afinal quando você passa a ser a vítima tudo adquire um tom mais diabólico né? E é assim que mães, professoras e tias abusivas vão se confrontar com as barbaridades cometidas por elas contra crianças indefesas. 




Em ‘O homem da terra’ César Bravo nos apresenta a família Dulce, os fundadores de Três Rios como conhecemos hoje, apesar de não se aprofundar muito no tema, esse conto traz detalhes sobre a imigração italiana para o Brasil, e é por meio do pacto feito por Ítalo Dulce que temos noção do quanto era desesperador para estas famílias chegarem em terras tupiniquins e se descobrirem tão sem esperança quanto quando deixaram suas terras em busca de um sonho melhor. 

Um homem detesta a velhice porque é nela que ele finalmente entende quanto tempo perdeu. - Pág 159

Em ‘Gaiolas abertas’ damos boas-vindas novamente a Hermes Piedade, o homem mais poderoso e odiado de Três Rios, é sempre interessante acompanhar esse personagem tão controverso, principalmente porque todas as mazelas que envolvem a cidade estão diretamente ligadas com o seu abatedouro e eu só posso dizer uma coisa: aquele final me fez pensar com quem exatamente o Sr. Piedade tem uma sociedade, nesse livro César Bravo caprichou na presença do maior empresário da cidade. E tomem cuidado habitantes de Três Rios, pois suas ações podem não ser tão discretas quanto acreditam! Em ‘Polaroid Colorpack 80’ e ‘A voz que caminhava’ conseguimos acompanhar muitas brutalidades cometidas na cidade e documentadas por voyeurs




Como eu já havia dito na resenha do livro anterior, não espere morrer de medo, o objetivo do autor é causar desconforto e repulsa no leitor, e como já é comum em livros de contos nem todos me agradaram, mas acredito que para quem quer começar no gênero é interessante essa leitura, afinal você pode ir descobrindo o que funciona ou não com você neste gênero. A edição está impecável e combina com o outro livro do autor, tenho certeza de que teremos muitas histórias ambientadas nessa cidadezinha macabra.

NOTA

OUTROS LIVROS DO AUTOR RESENHADOS NO BLOG:


Nascido em 1977, em Monte Alto, São Paulo, foi apenas recentemente que Cesar Bravo deu voz à sua relação visceral com a literatura. Durante sua vida, já teve diversos empregos — ocupando cargos na indústria da música, na construção civil e no varejo. É farmacêutico de formação. Bravo publicou suas primeiras obras de forma independente, e em pouco tempo ganhou reconhecimento dos leitores e da imprensa especializada. É autor e coautor de contos, romances, enredos, roteiros e blogs. Transitando por diferentes estilos, possui uma escrita afiada, que ilumina os becos mais escuros da psique humana. Suas linhas, recheadas de suspense, exploram o bem e o mal em suas formas mais intensas, se tornando verdadeiros atalhos para os piores pesadelos humanos. Cesar é um admirador e seguidor dos grande mestres, devoto de Edgar Allan Poe e H.P. Lovecraft. Com uma voz única e muito brasileira, o terror nacional volta a respirar na pele da nova geração de autores e leitores sedentos por histórias que dêem voz a nossa identidade, mas que nos levem muito além da carne.

Título Original:
Wuthering Heights 
Autor: Emily Brontë
Editora: DarkSide Books 
Páginas: 416 
Ano: 2020 
Gênero: Ficção

Sinopse: Turbulência, impetuosidade e misticismo. Originalmente publicado em 1847, O Morro dos Ventos Uivantes, de Emily Brontë, combina paixão e trevas de maneira surpreendente — emoções que os leitores apaixonados pela DarkLove, marca da DarkSide® Books que revela as novas vozes femininas da literatura, conhecem bem. Se hoje as obras de Laura Purcell, Yangsze Choo, Kerri Maniscalco, Patrice Lawrence, Silvia Moreno-Garcia e tantas outras autoras inigualáveis encantam e fascinam, é porque mulheres igualmente talentosas decidiram dar vida a personagens e histórias inesquecíveis lá atrás. Para honrar as autoras que inspiram gerações de escritoras, a DarkSide® Books orgulhosamente apresenta o selo DarkLove Classics: clássicos da literatura selecionados com o rigor e o carinho da Caveira para os leitores que adoram sentir o coração bater mais forte. E o primeiro é uma das obras mais influentes da literatura mundial: O Morro dos Ventos Uivantes. Um dos grandes romances das irmãs Brontë, este clássico apresenta uma história fantasmagórica de obsessão, vingança e paixões intensas. Na trama, o órfão Heathcliff é acolhido ainda criança pela família Earnshaw e apaixona-se pela pequena Catherine. O afeto, embora correspondido, transforma-se num amor impossível. Tal vínculo devastador é envolto por uma atmosfera sombria e um teor dramático e audaz que consolidaram Emily Brontë como uma das rainhas da literatura inglesa. (FONTE)
  

Desde em o momento em que a protagonista de 'A Saga Crepúsculo', Bella Swan, citou 'O Morro dos Ventos Uivantes' como seu livro favorito, eu coloquei em minha cabeça que queria ler este livro também. Se tratando de um clássico da literatura, existe inúmeras edições no mercado e a indecisão de em qual delas investir (geminiana aqui), foi o que adiou cada dia mais a minha experiência com a obra. No entanto ao ver o lançamento desse exemplar lindíssimo da Editora Darkside Books, não tive mais dúvidas em qual versão apostar.



Até o presente momento eu ainda não entendi o que senti, ou sinto, por 'O Morro dos Ventos Uivantes'. Sei que gostei muito de fazer a leitura, pois a todo momento eu queria saber mais do enredo e o que iria acontecer no capítulo a seguir, no entanto tem inúmeras coisas que eu também detestei neste livro, o que me faz estar em conflito comigo mesma, tentando entender o que foi/é essa leitura. Acredito que estou digerindo aos poucos, inclusive continuo digerindo em meio a essa resenha, talvez no final eu chegue a uma conclusão, porém, posso começar dizendo que talvez todo esse conflito interno que paira sobre o leitor é exatamente o que faz de 'O Morro dos Ventos Uivantes' a grande obra que se tornou.



Nossa história começa sendo narrada pelo Sr. Lockwood, que está alugando uma das propriedades do Sr. Heathcliff, e acaba ouvindo de Nelly, uma das criadas, a história de vida do seu senhorio. Heathcliff foi levado ainda muito criança para Wuthering Heights, pelo seu patrão o Sr. Earnshaw, ele encontrou o menino esfaimado e perdido, sem ter onde cair morto, pelas ruas de Liverpool. Sua filha Catherine se deu muito bem com o irmão adotivo, porém seu irmão biológico, Hindley, o detestava e por um bom tempo o maltratou. 


Com o passar dos anos, Cathy e Heathcliff desenvolvem sentimentos muito fortes um pelo o outro, mas com a morte dos patrões, Hindley se torna o dono da casa, passando a tratar Heathcliff como uma espécie de criado. Cathy por sua vez não se deixa levar pelos sentimentos que tem pelo pobre órfão, preferindo ir em busca de uma vida confortável ao lado de Edgar Linton, seu vizinho. Enquanto isso, Heathcliff vai embora sem dizer para onde, algum tempo depois está de volta um tanto diferente, com condições financeiras melhores do que a que tinha antes e uma enorme sede de vingança.



No desenrolar do enredo iremos acompanhar os acontecimentos que se desencadeiam a partir dessa sede de vingança, fazendo da obra uma leitura difícil de digerir, porém extremamente viciante, do tipo que é impossível se desprender até que chegue a última página.



Posso definir minha relação com esses personagens como algo muito conturbado, onde ao mesmo tempo em que entendo a raiz de suas atitudes, não concordo com elas, muito menos as aceito como justificativas. Emily Brontë realmente colocou tudo o que há de bom e de ruim no ser humano em seus personagens, mostrando os dois lados da moeda, o bem e o mal, as consequências que nossas decisões tem em nossas vidas.



Quanto ao romance confesso que foi bem difícil de aprecia-lo, visto que eu só enxergava a relação de Cathy e Heathcliff como um capricho da parte dela e uma obsessão da parte dele. Não fui capaz de observar algo que agora é nítido pra mim. Catherine é uma mulher baseada nas mulheres reais daquela época, onde casar-se por amor era mesmo raridade. Casamento até algum tempo atrás era sinônimo da vida em que você escolheria ter para o resto dos seus dias. Por mais que Heathcliff seja o personagem mais odioso com o qual tive o prazer de me deparar, ele partiu em busca de estudo e riquezas em pró da sua amada, em poder ser considerado uma opção de escolha de vida para Catherine. O que me faz agora, apreciar um pouco dessa macabra história de amor.



O livro mostra a importância que tem o lar em que uma criança é criada, como os exemplos daqueles que a cercam podem interferir em sua vida. Além disso podemos encontrar na obra vestígios do que viver cercado de preconceitos e abusos é capaz de fazer com a vida de um ser humano. Mas independente de tudo isso, ainda sigo com a minha opinião de que apenas nós mesmos somos capazes de definir o bem ou o mal que existe dentro de nós. Coisas ruins acontecem a todo momento, cabe apenas a cada um de nós decidirmos o quanto isso definirá ao lado bom ou o ruim de nosso caráter. E digo isso por experiência própria, os acontecimentos do meu inicio de vida poderiam ser uma inclinação para eu me justificar por uma vida cheia de péssimas escolhas, mas preferir canalizar todas as minhas dores em pró de um futuro onde eu tivesse orgulho de onde cheguei em meio aos obstáculos que enfrentei e onde os meus filhos não tivessem que passar pelo mesmo que passei.


NOTA:


Emily Brontë nasceu em 30 de julho de 1818, em Thornton, Inglaterra. Escreveu diversos poemas, mas ficou célebre graças ao seu único romance, O Morro dos Ventos Uivantes, publicado em 1847 sob o pseudônimo Ellis Bell. Irmã de Charlotte e Anne Brontë, faleceu em 19 de dezembro de 1848, em Haworth.